quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Quais são os principais sintomas clínicos da desnutrição em idosos?


A desnutrição em pacientes geriátricos é comum, pois, com a idade avançada, o consumo alimentar diário diminui. Além disso, os alimentos consumidos são de baixas calorias, contribuindo para a deficiência nutricional e desnutrição (1). Os sinais e sintomas do processo de envelhecimento são facilmente confundidos com a desnutrição, dessa forma, as intervenções muitas vezes são inadequadas e menos potentes do que poderiam ser. Alguns sintomas de desnutrição em idosos freqüentemente encontrados são: diminuição do apetite, aversão e redução da ingestão de carnes, redução da ingestão de 1/3 das necessidades diárias de nutrientes, apatia geral, fadiga permanente sem períodos de recuperação, redução da mobilidade, perda de peso, pele seca, fina e rachada.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Quais são as principais propriedades do guaraná?


O guaraná (Paullinia cupana Mart. var. sorbilis) pertence à família Sapindaceae, um arbusto originário da região Amazônica. Os frutos do guaraná são os mais comumente utilizados, mas as folhas, as flores e até as sementes pode ser aproveitadas. O extrato de guaraná apresenta em sua composição os radicais metil-xantínico, como a cafeína, teobromina e teofilina, além de conter taninos, saponinas, catequinas, epicatequinas, proantrocianidois, dentre outros componentes em menor concentração.
O guaraná é um dos vegetais mais ricos em cafeína, representando cerca de 3 a 6% do peso do fruto, mais do que dobro em comparação com de grãos de café, que apresentam de 1 a 2%. Por isso, o guaraná é conhecido por suas propriedades estimulantes, como a redução da fadiga, aumento da agilidade, e como um auxílio ergogênico em atividades esportivas.
De um modo geral, os estudos realizados em ratos e seres humanos, revelam diversas propriedades do guaraná, incluindo:
- Melhora na capacidade cognitiva e memória;
- Melhora no desempenho de tarefas que exigem atenção;
- Redução da fadiga mental e melhora de humor;
- Redução da agregação plaquetária;
- Efeito antioxidante, inibindo processos de peroxidação lipídica;
- Propriedades anticarcinogênicas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Por que sentimos vontade de comer doce após as refeições?



Porque durante o processo de digestão, os estoques de serotonina ficam diminuídos, o que faz com que o organismo busque captar rapidamente triptofano para nova produção desse neurotransmissor. O cérebro nos avisa desse processo provocando desejo por carboidratos, como doces, pois a glicose aumenta a disponibilidade cerebral do triptofano, que é captado pelos neurônios, produzindo serotonina.

Tanto o açúcar dos doces quanto os dos carboidratos tem esse efeito (pois ambos têm como resultado final da digestão, a glicose) no entanto, o açúcar dos doces chega à corrente sanguínea mais rapidamente, pois trata-se de um carboidrato simples, que é digerido e absorvido mais rapidamente pelo organismo.

Quando nos alimentamos, ocorre liberação de hormônios e neurotransmissores para que as alças intestinais se movimentem. Um dos neurotransmissores mais atuantes na transmissão de mensagens entre os neurônios do aparelho digestivo é a serotonina. Além de atuar no trato gastrintestinal, a serotonina desempenha um importante papel no sistema nervoso, como a liberação de alguns hormônios, a regulação do sono, a temperatura corporal, o apetite, o humor, a atividade motora e as funções cognitivas.

Por isso, quando a serotonina é secretada pelo intestino, ocorre uma diminuição de seu estoque, e sua reposição depende da ingestão de alimentos ricos em triptofano, pois esse é um aminoácido essencial, que não é produzido pelo organismo. Estudos têm demonstrado a associação da glicose com o aumento da disponibilidade de tirptofano. No entanto, esse aminoácido pode ser encontrado em outros alimentos como aveia, banana, folhas verdes escuras, arroz integral, frutas cítricas, oleaginosas e derivados do leite. O chocolate, além de conter triptofano, contém tirosina, outra substância que também estimula a produção de serotonina.


Bibliografia (s)

Kapczinski F, Busnello J, Abreu MR, Carrão AD. Aspectos da Fisiologia do Triptofano. Disponível em: http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol26/vol25/n4/relit254b.htm. Acessado em: 27/02/2015

ABESO. Halpern ZSC, Rodrigues MDB. Chocolate: Alimento ou droga? Disponível em: http://www.abeso.org.br/pagina/188/chocolate---alimento-ou-droga?.shtml. Acessado em: 27/02/2015

Peroutka SJ, Lebovitz RM, Snyder SH. Two distinct central serotonin receptors with different physiological functions. Science. 198; 212(4496):827-829

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O consumo de café reduz o risco de desenvolver diabetes tipo 2?


Sim. Estudos demonstram uma associação inversa entre o consumo de café e o risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 (DM2).
Pesquisadores americanos publicaram uma metanálise que incluiu 28 estudos prospectivos, abrangendo uma população estimada de mais de um milhão de participantes e com mais de 45.000 casos de DM2. O tempo de seguimento variou de 10 meses a 20 anos e o consumo alimentar foi avaliado através de questionário de frequência alimentar. Os resultados demonstram que os participantes que aumentaram seu consumo de café para mais de 1 copo/dia durante um período de quatro anos tiveram um risco 11% menor de desenvolver DM2 nos 4 anos posteriores, em comparação com aqueles que não fizeram alterações no consumo. Já os indivíduos que diminuíram a ingestão de café para mais de 1 copo/dia tiveram risco 17% maior de desenvolver DM2. Mudanças no consumo de chá não foram associados com o risco de DM2.
Os mesmos pesquisadores publicaram outro estudo, dessa vez para comparar as tendências dessa associação com a utilização de café cafeinado ou descafeinado na mesma população. Na comparação entre os efeitos desses cafés, dados demonstraram uma associação inversa entre o consumo desses cafés e o risco de DM2, confirmando que o efeito de redução de risco de DM2 através do consumo de café promove uma resposta dependente das quantidades ingeridas. Mais ainda, os resultados demonstraram que tanto o café cafeinado como o café descafeinado promoveram uma redução comparável no risco de desenvolvimento do DM2.
Um estudo com o objetivo de evidenciar o mecanismo dessa relação avaliou a associação entre o consumo de café e vários biomarcadores relacionados com a DM2, como marcadores hepáticos (γ-glutamil transferase, fetuin-A, e globulina), marcadores de dislipidemia (lipoproteína de alta densidade – colesterol e triglicérides), inflamação (proteína C-reativa), adipocina (adiponectina) e metabólitos. Os resultados verificaram que o consumo de café foi inversamente associado com os níveis de fetuin-A e PCR em mulheres e γ-glutamil transferase e triglicérides em homens. O consumo de café tende a ser inversamente associado com o risco de DM2 em ambos os sexos, alcançando significância apenas em homens. Os autores afirmam que esses marcadores explicam a relação inversa entre o consumo de café a longo prazo e o risco de desenvolvimento de DM2.
No entanto, um estudo publicado na revista Nutrition revisou a literatura sobre os efeitos do consumo de café em diferentes fatores envolvidos na patogênese do DM2. Os autores afirmam que, no geral, as evidências experimentais e epidemiológicas estudadas elucidam os efeitos protetores do consumo de café no DM2, envolvendo múltiplos mecanismos preventivos, mas que apesar das fortes evidências disponíveis na literatura, ainda é incerto se o uso do café deve ser recomendado para pacientes com diabetes e/ou qualquer paciente em risco de desenvolvimento de DM2 como uma terapia complementar para prevenir a progressão da doença.